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It takes two to tango

Porque o que um não quer, dois não fazem.

It takes two to tango

Porque o que um não quer, dois não fazem.

...

Devia escrever. Aliás, disseram-me mesmo para escrever e escrever e escrever este assunto até não dar mais. Mas não há palavras que me sirvam no peito para aligeirar o que falta. Não há palavras, textos, manifestos grandes o suficiente para tapar o buraco. Tudo o que tente aqui pôr fica longe do vazio. Longe. A milhas, que esta saudade que trago não caberia na distância da terra à lua.

Há pessoas que nos fazem falta. Não é de mais nada que não a sua presença na nossa vida. Há pessoas que nos fazem falta porque se enraizaram no peito. E não há nada que acalme a dor senão o senti-la até à dormência para que possamos acordar depois, renovados de energias para lhes voltar a sentir saudade. Só. É ciclico. Estou bem durante um tempão e um dia, sem avisos, uma pergunta, uma palavra, um comentário, uma imagem ou uma rua fazem despoletar em mim todas as memórias. Como se a gaveta estivesse em constante pressão com a quantidade absurda de coisas que lá não cabem e, do nada, abre-se e rebentam memórias por todo o lado. E passam-me à velocidade da luz picando-me a alma como alfinetes e despertando a saudade. E depois, vêm as lágrimas que já não correm e segue-se o choro silêncioso e constante, respiração cadênciada, que acompanha o descompasso do coração. Até que o sono invede, os olhos fecham e as memórias se transformam em sonhos, onde a vida é perfeita e tudo corre como devia. E o coração sossega, as saudades acalmam durante o período de euforia, só para retomar tudo outra vez, no dia seguinte, no regresso à realidade.

E não há força de vontade capaz de repor o sorriso. Porque há dias em que sorrir é tarefa herculea e não atenua a dor. Há dias em que sorrir desgasta e a saudade tem que ser sentida, doída, vivida. De olhos vidrados e ar nostálgico. Há dias em que tem que ser assim. Hoje é assim.

A lista de Prós e Contras - razões a favor

Porque é fácil estar com ele.

Porque me faz rir, só porque sim.

Porque a conversa flui, sem esforço.

Porque palmilhámos meia Lisboa, a rir que nem parvos.

Porque quando lhe disse que tinha saudades de uma das fases da minha vida, ele me ofereceu uma lembrança desajeitada.

Porque lhe podia dizer tudo, com a mais absoluta sinceridade.

Porque quando olha para mim, sou minúscula.

Porque pede desculpa.

Porque quando percebeu que eu estava mesmo magoada com ele, me deixou um clip em forma de coração na mala.

Porque me fez imensamente feliz.

Porque me respeitou.

Porque defende aquilo em que acredita da forma mais apaixonada que já vi.

Porque me faz acreditar que posso mudar o mundo.

Porque tem a melhor gargahada de sempre.

Porque me parte o coração vê-lo triste.

Porque não imagino viver a minha vida sem que ele faça parte dela.

Porque não consigo chatear-me com ele.

Porque sabia sempre qual o meu humor, só de olhar.

Porque dizia sempre as coisas certas.

Porque o som da voz dele me acalma a alma.

Porque a presença dele me dá segurança.

Porque acredita em mim.

Porque tem o abraço mais confortável do mundo.

Porque com ele sou eu sem que ele me julgue.

Porque não gosta de confusões e mal entendidos.

Porque foi ter comigo, naquele dia.

Porque gosta das coisas simples.

Porque gosta de música.

Porque todos os dias estava lá.

Porque sou a "voa voa", entre mil outras coisas.

Porque sim.

Porque é incondicional.

Porque o amo, e ele merece o mundo.

...

Hoje estou como a M.J., feita de saudades. Hoje tenho saudades. Ontem vi o falecido. Ele não me viu.  A sensação que me assolou foi a de "Epa, ele existe!". Exacto, eu existo depois dele e ele também existe depois de mim. A probabilidade de me voltar a cruzar com ele é alta. Mas não é dele que tenho saudades. Nenhumas, aliás. Mas tenho saudades de falar com o Garoto. Não é de mais nada, não pensem. É de falar com ele. Já cheira a esturro esta coisa de falar com toda a gente aqui, menos com ele. É ridículo. Acho que já chega. Já passou tempo suficiente para superar tudo. A namorada dele já se devia ter curado dos ciúmes, sei lá. Eu não me curei dele, mas não quero saber, porque, acima de tudo, só queria que falássemos. Mais nada. A questão é que... ele não quer. Mas já chega porra. Será que ele não se curou de mim?

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