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It takes two to tango

Porque o que um não quer, dois não fazem.

It takes two to tango

Porque o que um não quer, dois não fazem.

Quantas horas trabalhas tu?

O meu penasmento hoje tem sido constante: queria tanto estar em casa... entretanto dei por mim a divagar sobre teletrabalho, e até toquei no tema ali no Língua Afiada. Por acaso cruzei-me com este post da Helena e, confesso, fiquei com alguma inveja.

Neste nosso cantinho à beira mal plantado somos grandes crentes de que quanto mais horas passamos no Local de trabalho, mais trabalhamos. Isto viu-se claramente quando foi aumentada a carga horária da Função Pública para as 40horas semanais e, iniciando-se a tentativa de regresso às 35 horas os trabalhadores do privado se revoltaram. Nesta altura a aminha opinião era clara - eu, trabalhadora do privado, quero que eles trabalhem as 35 horas e, mais, também quero trabalhar menos uma hora por dia. A ousadia, vejam lá. Vê-se também pelos olhares de soslaio que vão subsistindo quando o colega se levanta para sair à sua hora, e pelos améns que os empregadores dão aos trabalhadores que, consecutivamente, vão fazendo horas a mais. Seja porque esses mesmos empregadores têm trabalhadores a menos (ai, jesus, o aumento de custos de pessoal!!), seja porque esses trabalhadores não fazem o que lhes compete durante o dia (sim, o tempo de trabalho a mais faz sentido eventualmente... quando é sistemático há qualquer coisa que não está bem).

Pela Europa fora (nos países que os nossos governantes tanto idolatram) as cargas horárias têm diminuido ao longo dos anos, já se tendo percebido que muitas horas de trabalho não são sinónimo de produtividade, havendo inclusivamente empresas que, bantendo a hora de saída, desligam a luz obrigando o pessoal a abandonar. A tendência é perceber que a motivação dos trabalhadores também está relacionada com a sua qualidade de vida, e ter qualidade de vida também implica ter tempo para viver.

Imaginem que saíam uma hora mais cedo do trabalho, todos os dias? As possibilidades que isso vos abria...

Com a alteração da legislação laboral em questões de parentalidade, no início do ano passado, foi introduzida a possibilidade de os trabalhadores que tinham filhos até 3 anos ficarem em regime de teletrabalho. Onde eu estava começaram a surgir pedidos. Pedidos de pessoas que eram, por exemplo, designers. A única possibilidade de recusa seria a incompatibilidade da função com o teletrabalho. Um designer precisa de um computador e criatividade. Eventualmente, de reunir com o cliente, mas não precisa de estar em casa dele, certo? Quantos designers existem em regime de freelance? Exacto. Eu vi esses dois pedidos recusados. Porque na cabeça das pessoas que tinham que decidir, eles tinham que lá estar, a toda a hora. Porque se não estivessem, quem garantia que estavam a trabalhar?

E pergunto-me eu: o que interessa não é o resultado? Não é o trabalho feito dentro do prazo? Se eu demoro 4 dias a fazer um processamento salarial, porque é que tenho que estar 8 dias só dedicada ao dito?

No fundo, o que eu queria era estar em casa, a trabalhar calmamente do conforto do meu lar, enquanto estendia uma roupa nos intervalos...

 

 

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