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O Manifesto da Garota

"Desabafos resultados de fraquezas", música, politiquices, opiniões gratuitas e posts sem conteúdo. Acima de tudo, vida, muita vida!

O Manifesto da Garota

"Desabafos resultados de fraquezas", música, politiquices, opiniões gratuitas e posts sem conteúdo. Acima de tudo, vida, muita vida!

Do deixar de fumar.

Entretanto, na sexta, lá houve almoço com uma malta porreirinha... com vinho. E sabe quem fuma e bebe, que beber sem fumar é difícil. Desgracei-me, portanto.

 

Apesar disso, o sábado foi-se passando com naturalidade e eu nem me lembrei do raio dos cigarros.

Sabem que mais? Estou aqui, virada do avesso, com um humor de cão, mas com ZERO cigarros fumados desde sábado!

A nicotina.

A derradeira (espero) tentativa para deixar de fumar. Começou ontem. Fiquei sem tabaco, quando cheguei a casa. Já não me apetecia sair mais. Estava frio. A minha vontade de fumar não era assim tanta. Pensei "Porra, é desta. Não fumo mais.". Saquei o último cigarro do maço de tabaco, que fumei languidamente em jeito de despedida. Apaguei-o, e esvaziei o cinzeiro para o caixote do lixo, juntamente com o maço de tabaco vazio. Era cedo para me deitar, ainda, e precisava de ocupar as mãos. Sabem os ex-fumadores que um dos grandes problemas é esse: O que é que eu faço às mãos?!?!

 

Limpeza. Varre de um lado, aspira do outro, lava chão, lava loiça, limpa fogão... e, por fim, como que para dar sentido à resolução, lavei o cinzeiro que arrumei num canto escondido. Estava frio, mas abri as janelas, renovada de esperanças, para que o cheiro a tabaco saísse e entrasse o de nova vida. 

 

Como motivação extra, fiz contas. Imaginei todo o cruzeiro que os meus cigarros me iam pagar. E, por fim, adormeci, certa da melhor decisão de sempre, e que desta é que seria.

 

Passaram-se doze horas desde o último cigarro e acordo revigorada, sem que ele seja a primeira coisa que me vem à cabeça. Depois de toda a rotina, enquanto lavo os dentes, apercebo-me disso e fico radiante. Saio de casa com zero cigarros fumados. Atrasada, sem beber café, entro no autocarro com os mesmo zero cigarros fumados. Coisa maravilhosa. Em dias normais, por esta altura, já tinha fumado dois.

 

Saio do autocarro, e vou beber café. Começa a ansiedade. Lembro-me do almoço que tenho hoje. Que péssimo dia para deixar de fumar. Luto internamente. O lado bom fala-me em euros e saúde, e força de vontade e coisas boas. O lado mau diz que não vou aguentar. Que posso comprar tabaco, que só um não faz mal, que vou ficar insuportável, que vou descarregar no cão.

 

Entro no café. Peço o café e olho a prateleira do tabaco. Não há o meu. Olho... a luta continua, cá dentro. Saio do café de maço de tabaco na mão. Encerrado. Entro no local de trabalho com zero cigarros fumados. É bom. Noutra altura já ia a caminho do 4.º.

 

Amaldiçoo-me pelo dinheiro gasto e visualiso o cruzeiro outra vez. Este já está. Não vale a pena chorar sobre leite derramado. Não voltas a cometer o mesmo erro. Fumo meio cigarro. Não por capricho, mas porque não me apetecia mais. Sorrio. 

 

Agora, 15 horas depois da decisão, o balanço é, será sempre negativo, enquanto me for deixando vencer pela nicotina, esse vício monstrinho. Ainda assim, está um cigarro fumado, quando, ontem, por exemplo, por esta altura, já tinha fumado uns 6/7.

 

E lembrei-me de um documentário que está no youtube e que o falecido me mostrou:

 

Não está a ser fácil e estou com um humor de cão. O maço de tabaco está trancado numa gaveta, longe dos meus olhos, para que não me lembre. EStou em modo ansiedade e pézinho a bater. O teclado já é martelado... E o pior está para vir...

E agora que me lembrei do Brecht...

Aos que vierem depois de nós


Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar. 

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles. 
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra. 

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.


(Tradução de Manuel Bandeira)

(sublinhados meus)

O conceito relativo de Liberdade.

Este Portugal (des)governado que é nosso é, para todos os efeitos, um país livre. Mas, a cada dia que passa percebo que mais e mais gente restringem a liberdade aos seus corolários - a liberdade de expressão, de associação, de auto-determinação, etc. E isto aflige-me. Aflige-me porque a Liberdade não pode ser só o eu poder escrever neste blog, não pode ser só eu poder falar e discutir as minhas ideias (hmm... posso, até determinado ponto, já se sabe), não pode ser só eu poder sair de casa vestida como entendo. Tem que haver mais na liberdade. E, na minha caepção e conceito, infelizmente, Portugal não é tão livre quanto isso.

 

Pensem comigo. O Papa Bento XVI renunciou e deu-se início ao novo conclave para eleger o seu sucessor. Ontem, por volta das 18.05 os sinos do mundo tocaram anunciando que já se havia feito a escolha. Ontem, às 15 horas estava eu numa manifestação pela defesa do Direito à Contratação Colectiva. A Contratação Colectiva é um direito dos trabalhadores e é essencial na conquista de direitos laborais. 

 

À noite, enquanto se cozinhava o jantar, ouvia-se a TV. Tudo sobre o novo Papa, zero (que eu tenha ouvido) sobre a manifestação. Portugal está a morrer, mas não interessa porque há tudo a dizer sobre esta nova pessoa. Entretanto, preparem-se, vêem aí as eleições na Venezuela e os media controladores vão montar o circo à volta daquilo e esquece-se, mais uma vez, que Portugal está a morrer. 

 

E vou buscar os media, não de forma descabida, como a alguns possa parecer. É que os serviços de informação que temos hoje estão de tal forma condicionados, mastigam de tal forma  a informação, que o Português médio come aquilo tudo por certo. Tudo. E onde está a liberdade quando se formatam cabeças? 

 

Nas escolas, onde está a liberdade quando não se ensina a pensar, a argumentar e quando o objectivo primordial é o debitar de matéria e não a formação de um cidadão com espírito crítico?

 

Onde está a liberdade, quando este Governo me pôs a trabalhar para sobreviver, cortando em tudo, de tal forma, que nem sou livre de gastar uns trocos do meu ordenado em coisas que me dêem prazer?

 

Que liberdade é esta, que só me deixa falar e vestir? Seremos nós mesmo livres?