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O Manifesto da Garota

"Desabafos resultados de fraquezas", música, politiquices, opiniões gratuitas e posts sem conteúdo. Acima de tudo, vida, muita vida!

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Repost - Mulher

Dei por mim a falar sozinha ontem e a assumir uma coisa que desbloqueou 50.000 outras na minha cabeça. É-me difícil ver-me enquanto mulher. Na minha cabeça continuo a ser uma cachopa de 21 anos. Só que não. Já lá vão uns anos e não tarda estamos nos trinta. Mas a minha cabeça, o meu íntimo, não tem acompanhado este passar do tempo. Continuo a sentir uma insegurança estúpida de quem não sabe nada, e afinal já sei tanto. Tenho uma necessidade de afecto parva e, às vezes, muita dificuldade em gerir o estar sozinha (ok, este melhora a passos largos). Sou uma overthinker nata, o que eleva os meus níveis de ansiedade e, ainda não há muito tempo, dei por mim a ter ataques de pânico ao ponto de achar que me ia patinar.

Esta realização caiu-me como bloco de cimento no peito. Não sou uma miúda. Mulher, repetia eu, vezes sem conta, embora a palavra teimasse em não encaixar em mim. Mulher. Sou uma mulher, de quase 30 anos, que já passou por tanta coisa e que aqui continua, de sorriso no rosto. Que já ultrapassou tanta coisa chata que a insegurança não tem cabimento. Que vive sozinha, mesmo, sem ninguém para ajudar a aguentar o barco, ali, sem ninguém (excepto o Gordo) para abraçar quando estás triste ou que te ajude no jantar quando sais mais tarde do trabalho. Sozinha, por opção (e, mais tarde, pelas circunstâncias), há quase 5 anos. Mulher, que luta todos os dias por uma vida melhor. E que tem os melhores amigos com ela. Que tem os melhores avós. O melhor pai. Mulher, que não tem necessidade de ninguém e, mesmo assim, teima em não ver isso. Mulher.

Talvez amadurecer seja isto também. O momento em que percebemos, mesmo, realmente, que o tempo passou. E parece que se fez um clique em mim, porque hoje o Mundo amanheceu com outras cores, e eu amanheci com outra força.

 

 

 

 

Texto publicado a 18 de Janeiro de 2017