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O Manifesto da Garota

"Desabafos resultados de fraquezas", música, politiquices, opiniões gratuitas e posts sem conteúdo. Acima de tudo, vida, muita vida!

O Manifesto da Garota

"Desabafos resultados de fraquezas", música, politiquices, opiniões gratuitas e posts sem conteúdo. Acima de tudo, vida, muita vida!

Mu(dança)

Tremi quando peguei no telefone e vi o teu nome. Quando conduzia para casa, minutos antes, pensava em ti e amaldiçoava uma qualquer memória que achou que era o momento de me atormentar. Vão sendo mais espaçadas, já não és uma constante ali atrás no meu cérebro – o teu nome escrito em LED em fundo escuro a ecoar a cada batimento cardíaco. A coincidência era grande e só me lembrava de uma das primeiras coisas que escrevi aqui – não existe essa coisa de duas pessoas que pensam uma na outra ao mesmo tempo, na nossa história.

 

Ouvir a tua voz… trazes uma calma na voz que nem mil anos me vão conseguir dar palavras suficientes para te explicar, e ainda assim tremia. Tanto medo do que tivesses por dizer. Tantas saudades a cortar-me a voz, a mim. Devo ter-te parecido a pessoa mais fria e distante…

 

Ainda assim surpreende-me que tenhas achado que devias ligar por isto. Por estas páginas de coisas despejadas. Ainda mais quando não achaste que devias ligar quando te abri a alma e me expus, nua, sem reservas. Achei estranho e fiquei com a sensação de que havia mais por dizer. Mas, a verdade e que aqui já disse, é que me tenho enganado redondamente sobre nós. O meu instinto, que é sempre coisa tão certa, parece que desliga quando o assunto é esta história de desamor contemporânea.

 

Ainda assim, caramba, ainda assim, percebi que te sinto a falta vezes demais. Dessa tua crença e fé que tens em mim, e que eu falho a ter tantas, mas tantas vezes.

 

 

 

 

Menti-te. Ainda és Casa. Mas um dia, um dia destes, mudo-me.

O Universo está tontinho...

Não tenho noção da idade que tenho.

Esta semana o universo atirou-me mais um teste. Quer dizer, tendo em conta o que é, está mais para prova global do que para Teste. Há muitos, muitos anos atrás, quando o mIRC e o MSN ainda eram uma cena, conheci uma pessoa. Conhecemo-nos e apaixonámo-nos ou qualquer coisa desse género.

Ele era de longe, por isso íamos passando fins-de-semana juntos, lá ou cá. Arranjávamos maneira. Mas, como todas as relações da minha vida, that one went to waste too. Nunca mais falámos. A última vez que o vi tinha uns 17 anos, quando ele foi operado ao apêndice e eu lhe apareci em casa para o visitar.

O universo atirou-me essa pessoa outra vez. Achou, lá na sua conspiração cósmica, que devíamos falar outra vez. Não falávamos há anos. Não nos vemos há anos. Mas cá está ele, uma vida depois. Fazendo bem as contas, dezasseis anos depois. E perceber que tenho memórias com alguém de há dezasseis anos atrás é assustador. Como assim? Como não sou eu que tenho dezasseis anos?!

De qualquer forma, nos últimos meses todos os ex-namorados reapareceram. Uns mais resolvidos, outros resolvidos ainda assim... 

Na altura em que eu e esta criatura ressuscitada acabámos, eu andava a ler os livros do Paulo Coelho. Nessa altura em particular, li o Zahir. O que mais me interessou no livro foi o conceito de Zahir e, se aos trinta sou uma romântica incurável, imaginem lá o que seria com quinze anos. O Zahir é algo que, uma vez tocado ou visto, jamais é esquecido. E foi este conceito que ficou absolutamente ligado à criatura que agora renasce das cinzas, até eu o esquecer e provar ao meu eu com quinze anos que aquele não seria o meu Zahir.       

Para além do susto de perceber que tenho histórias com pessoas que duram há uma vida, foi engraçado perceber o rumo que a vida dele levou. Está casado, tem um filho, diz que envelheceu e que eu continuo igual. E em parte isso até é real, mas apenas porque fomos fazendo escolhas diferentes na nossa vida. Ou não foi uma escolha?

A verdade é que nenhuma das relações que tive anteriormente me deu segurança suficiente para pensar em assentar e ter filhos. Ando a conhecer as pessoas erradas, ou faz parte da vida? Mesmo com a pessoa que mais me partiu o coração – e agora, quase 10 anos depois, percebo que pela forma como me tratou e não exatamente pelo amor que lhe tinha – não me lembro de sonhar com o futuro e imaginar uma vida a dois e com descendências.

E sim, acho que até quero essa vida. Ou a hipótese de a sonhar com alguém. Enquanto falava com o renascido (bare with me) falávamos disso, da vida dele de casado e da minha vida de lonely wolf. Cheguei à conclusão que nunca estamos bem, a relva é mesmo sempre mais verde no quintal do vizinho. Os que estão com alguém invejam a vida de solteiro de quem não tem que dar satisfações a ninguém que não seja ele próprio. Os que estão sozinhos invejam a companhia de alguém nas tardes de domingo. É assim desde o início dos tempos, e vai ser sempre. E eu? Partilho dessa invejazinha boa, de ter quem partilhe as panquecas comigo. Acredito que essa pessoa ande por aí. Talvez já a conheça, talvez não. O que sei, hoje, é que pode não ser quem eu quero muito que seja. Porque, às vezes, aquilo que queremos não é o que precisamos.

Deus, já não tenho mesmo dezasseisanos. Para onde foi o tempo?!

Começa...

Bolsonaro é o novo Presidente eleito pelos Brasileiros. Isto é para lá de assustador, tendo em conta o tipo de discurso que vem praticando em toda a sua actividade política. Um discurso de ódio, xenófobia, homofobia, misógeno...

Mas foi eleito pela maioria dos Brasileiros.

Ao longo destes dias de campanha e já depois das eleições, muitos foram os comentários que apanhei, de que ele moderou o seu discurso, de que aquilo é só da boca para fora (este último vindo da boca da Regina Duarte, uma das actrizes mais notáveis daquele país)... 

Mas o problema até podia não ser (que é, também é) o Bolsonaro, em si mesmo. Mas o discurso que praticou e pratica, de incentivo ao ódio e à violência, que abre permisão para uma cadeia de atitudes violentas e discriminatórias, ameaçadoras. Um conjunto de atitudes que agora encontra legitimidade no discurso do recém eleito presidente.

E isso é preocupante e assustador.

Começa a fase da resistência, Brasil.

Resiste!

É isto, com nuances.

Hoje o Triptofano escreve sobre blogar e o estado de espírito e a sua admiração em relação ao Bloggers que mantém sempre o mesmo tom, ainda que a sua vida possa estar em ruínas. 

Não podia estar mais de acordo, e talvez por isso tenha tido a "triste" realização de que tenho veia de Chagas Freitas (se bem que depois vi qualquer coisa dele e percebi que não). A verdade é que o blog me serve e sempre serviu de escape, ponto de desabafo e isso condiciona a minha actividade enquanto blogger. O tom pode ser e será mais carregado, porque sinto maior necessidade de escrever quando estou menos bem e, apesar de achar piada a alguns conteúdos produzidos pela blogosfera, não tenho tempo de sobra na minha vida para pensar e produzir conteúdos direccionados para o blog (ou vocação, até...).

De qualquer forma, agradeço áqueles que por aqui ainda vão passando e, calhando a uma sexta-feira, se não conhecem o blog do Triptofano, passem por lá! Montes de opiniões sobre restaurantes e sítios giros na zona da Capital, informações sobre cosméticos e muito humor e sarcasmo à mistura!

 

 

Isto, da internet, pode ser uma coisa tão boa!

Ontem, expus uma situação de vida que, estou em crer, 80% das pessoas que me conhecem, não sabe. E expus, no Facebook, em semi-desespero.

Passo a explicar: o meu irmão é toxicodependente. A droga é uma coisa horrível e transforma as pessoas. Andamos nisto há demasiado tempo, demasiados anos, agastados, cansados, exaustos. Eu, os meus pais, os meus avós... e ele, claro que sim. Mas a verdade é essa e não, não é cliché: só sai quem quer. Não adianta taparem o sol com a peneira, andarem limpos dois meses, três, se a cabeça não se trata. E para tratar a cabeça e a dependência (ainda que as dores físicas da abstinência sejam reais e a alucinação aconteça), a pessoa, o doente tem que querer.

Mas adiante. Ontem, mais de três meses passados sobre as últimas notícias do meu irmão, com uma avó extremamente debilitada, uma mãe a milhares de kms em agonia, um pai em desespero, achei que era hora. Publiquei uma foto do meu irmão e pedi que quem o tivesse visto nas zonas onde parava antigamente, que me dissesse. Na verdade, queria mesmo era saber se estava vivo (é crú, e choca, eu sei. Mas é a verdade!).

O post só precisou de estar online duas horas, não mais. Sei onde ele está e meio mundo se prontificou a ir lá comigo, ou a falar com ele. 

Não há gratidão para o apoio e descanso que estas pessoas (algumas que não conheço) me trouxeram. A mim e aos meus.

 

Há semelhança disto, relembro-vos a luta da irmã da minha menina-Mulher. Esta semana as notícias não foram boas, e está a ser difícil acreditar. Mas enquanto houver estrada para andar, há esperança. A minha Izzie não está sozinha, e somos muitos, nesta comunidade do Sapo, com ela. 

A irmã da m-M necessita urgentemente de um transplante de medula óssea. Não há compatibilidade na família e encontra-se, neste momento, em lista de espera. Quantos mais forem os dadores de medula, maior a probabilidade de ajudar a irmã da nossa amiga, ou qualquer outra pessoa.

A Internet pode ser uma coisa tão boa. Ajudou-me, ontem, a ter notícias do desaustinado do meu irmão. Ajudará, com certeza, a passar a palavra sobre o caso da irmã da Izzie, e a encontrar um dador compatível!

 

Vamos a isto. Hoje por uns, amanhã por outros.

Da vida.

Preciso de escrever e sai pouco ou nada. Entrámos em Outubro e eu caí. Não literal mas figurativamente. Algum dia haveria de cair. Não tenho pretensões de Super Mulher e tenho a consciência de que tenho muita coisa em cima de mim. Seja pessoal ou de trabalho. É muito, demasiado, tem sido um ritmo alucinante que pouco tempo me deixa para aqui passar. Bolas, pouco tempo me deixa para dormir e descansar convenientemente, quanto mais para parar e pensar a minha vida.

Mas Setembro terminou comigo a tomar decisões difíceis. E, pondo pontos finais, ficam espaços vazios. E se ficam espaços vazios, há espaço para outras coisas cairem. E caiu. Caiu tudo. Ruiu-me o mundo numa tarde. Verdadeiro meltdown, tão necessário para perceber que, às vezes, precisamos de nos obrigar a parar.

No dia seguinte acordei retemperada, recuperada, com outra energia e outro ânimo. Decidida e firme. E a pensar que tenho que me deixar cair mais vezes. 

Quotes || Compaixão

"Nas línguas em que a palavra compaixão não se forma com a raiz «passio = sofrimento» mas com o substantivo «sentimento», a palavra é empregue mais ou menos no mesmo sentido, mas dificilmente se pode dizer que designa um sentimento mau ou medíocre. A força secreta da sua etimologia banha a palavra de uma outra luz e dá-lhe um sentido mais lato: ter compaixão (co-sentimento) é poder viver com o outro não só a sua infelicidade mas sentir também todos os seus outros sentimentos: alegria, angústia, felicidade, dor.
Esta compaixão (no sentido soucit, Mitgefühl, medkänsla) designa, portanto, a mais alta capacidade de imaginação afectiva, ou seja, a arte da telepatia das emoções. Na hierarquia dos sentimentos, é o sentimento supremo."
 
in A Insustentável Leveza do Ser
Milan Kundera

 

Aos 30...

Percebes que tens muitas dificuldades em falar do que sentes, principalmente quando não é bom ou bonito. É-te difícil confrontar o outro com a dor que te causou, porque, na verdade, sempre foste desencorajada de o fazer. Crias medos. Medo de falar e ser ridícula. Medo de que a outra pessoa se chateie - wtf? - medo de que não percebam. E vais digerindo as dores de uma vida sozinha, sem que os outros saibam as dores que te causaram-.

Aos 30, percebes que isso não tem razão de ser, que te entristece e envenena. Aos 30 abres-te francamente e sentes-te mais leve 50kg. Aos 30 sorris porque tens alguém na tua vida que te permite sentir confiança suficiente para poderes falar até sobre a dor que te causou sem medos. Aprendes mais sobre ti e cresces.